11 de ago de 2015

O Passado mandou lembranças...


Amigos

Vamos fazer uma viagem de trem partindo da estação de Niterói até Nova Friburgo.

Boa viagem!


Pesquisa e texto da historiadora Janaína Botelho.
Colaboração: Marta Cristina Matos,
Nadia Eljaick

3 de jun de 2014



Dia 21 de junho  às 14 horas.
O Ilê Axé Omin receberá  o Pastor Alexandre Marques que falará de seu livro e de Jonas Rezende.
" A Redenção de Deus sobre o Diabo e a Inocência"
Você é nosso convidado !
Entrada 01 k de alimento não perecível.
Não percam !!!



Sítio Taquari, Vila Indiana 606 - Boca do Mato - Cachoeiras de Macacu
Telefones para contato: 
9 8167-4779 Yalê Lucinha / 9 97681952 Dofona D'Ogum Larissa

11 de mai de 2014

Encontro com o saber.

Encontro com o saber


Dia 21 de junho  às 14 horas.
O Ilê Axé Omin receberá  o Pastor Alexandre Marques que falará de seu livro e de Jonas Rezende.
" A Redenção de Deus sobre o Diabo e a Inocência"
Você é nosso convidado !
Entrada 01 k de alimento não perecível.
Não percam !!!

20 de fev de 2014



OFICINA DE 

SABONETES 

DE 

ERVAS


Venha aprender conosco !!!

Sabonetes decorativos preparados com muito Axé.

Farmacêutica responsável: Maria José Porto


Vagas limitadas !
Garanta já a sua, ligando para: 
9 8167-4779 / 2649-6197

Dia: 01 se Março
Das 14hs às 18hs
Vila Indiana 606 - Boca do Mato Ilê Axé Omin

Doe 1 kg de alimento não perecível.


                                                                                   
                                                                                 

9 de ago de 2012

31 de mai de 2012

Quebra-cabeça



#...17 – Quebra-cabeça

Como pode um Homem ser um quebra-cabeças?
Como deveria parecer a cabeça de um Homem
Que esteve à frente de tantas cabeças de homens
Destinadas aos Orixás em suas cabeças?

Observo os olhares de seus filhos,
Na esperança vã de me ver a olhá-lo;
Teria minha pupila a mesma fotografia
De admiração ao fitá-lo?

Um sorriso brota, desavisadamente,
Quando levado pelos risos da nova mãe;
Mas do casal que surgia do entrelaçamento
Destas almas e corpos, que efeito em mim causaria?

Sinto-me estranhamente órfão,
quando tenho ao meu lado
O mais amigo dos pais...
O pai no templo seria assim, tão amigo?

Farejo seu rastro, como uma traça
A devorar suas letras escritas;
Um pintor de retrato-falado;
Um cantor de vozes gravadas;
Um aluno, da fria tela do monitor...

Como seguir seu legado,
Se só enxergo uma minúscula
Parte de sua obra?

Por todo lado me sinto aprisionado,
Na saudade do que não conheci,
Nos ensinamentos que não aprendi,
No abraço que nunca senti...

Que homem serei eu,
Ao seguir os passos do
Homem que não vi ser?
                                 (Daniel Tomazine Teixeira)

29 de abr de 2012

Solenidade de Inauguração do Centro de Cultura Negra de Itaipuaçú - Sala Professor José Flávio Pessoa de Barros

O Ilê Axé Omin agradece aos Professores José Luis e Maria do Socorro, fundadores do Centro de Cultura Negra de Itaipuaçú pela homenagem prestada ao nosso saudoso Papai Flávio . Na ocasião foi inaugurado o espaço para "troca de saberes e fazeres africanos e afro-brasileiros", dentro do qual, uma sala que leva o nome do Professor e Babalorixá José Flávio Pessoa de Barros.






4 de mar de 2012

Venha com a abelha que te devolvo em mel!

“De flor em flor a abelha enche o pote”

O Ile Asè Omin tomou a liberdade de trocar um pouco as palavras do ditado popular “de grão em grão a galinha enche o papo” para contar o que está começando a adoçar a casa.
Depois de uma formação em Meliponicultura no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) de Curitiba, do Paraná, em janeiro deste ano. O sítio começou a reproduzir seus primeiros aprendizados...
Para quem não conhece, a Meliponicultura é o cultivo de abelhas indígenas sem ferrão, os meliponídeos, que podem ser encontrados em todas as regiões tropicais e subtropicais.
A ideia é formarmos um meliponário, que seria um tipo de condomínio com pequenas casas de madeira para as abelhas construírem suas colméias. Promovendo assim a maior polinização da flora do ecossistema de Cachoeira de Macacu e quem sabe posteriormente valorizarmos para a medicina como se prática na mãe África.
Já são quatro colméias de abelhas e que já deram frutos, ou melhor, mel! Apesar de mais fluido e se cristalizar lentamente do que o que estamos acostumados a ver, da abelha com ferrão. Não deixa de ser uma delícia e uma ótima oportunidade de geração de renda.
O projeto do meliponário ainda pretende crescer e transmitir esse conhecimento para a região. Onde até crianças das escolas locais possam o aprender sobre o ciclo ecológico e sua importância na prática.


Por: Luiz André de Xango

"Da Abelha ao Mel, com Amor, Dedicação e Saúde"

30 de mar de 2011

EXU PARA JORGE AMADO


Exu para Jorge Amado


Não sou preto, branco ou vermelho,
Tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou Exu!
Mando e desmando,
Traço e risco
Faço e desfaço.
Estou e não vou
Tiro e não dou.
Sou Exu.
Passo e cruzo
Traço, misturo e arrasto o pé
Sou reboliço e alegria
Rodo, tiro e boto,
Jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher
Sou das praias, e da maré.
Ocupo todos os cantos.
Sou menino, avô, maluco até
Posso ser João, Maria ou José
Sou o ponto do cruzamento.
Durmo acordado e ronco falando
Corro, grito e pulo
Faço filho assobiando
Sou argamassa
de sonho carne e areia.
Sou a gente sem bandeira,
O espeto, meu bastão.
O assento? o vento! ...
Sou do mundo, nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
pelos chifres da nação
Sou Exu.
Sou agito, vida, ação
Sou os cornos da lua nova
A barriga da rua cheia!...
Quer mais? não dou,
não tou mais aqui.
Postagem enviada por: Lucinha Pessoa
Foto Jorge Amado (autor desconhecido)
Foto Ogó de Exu por: Flávio Rocha
Foto Flor de Exu por: Flávio Rocha

24 de mar de 2011

SOU OYA



SOU OYA
"SOU O VENTO NO BAMBUZAL,
O BÚFALO NO DESCAMPADO.
A LAGARTA NO CAULE DA ÁRVORE,
A BORBOLETA NO CÉU AZUL."
"SOU A DONA DOS RAIOS,
A SENHORA DO FURACÃO.
A GUERREIRA INDEPENDENTE, 
A AMADA DO REI GUERREIRO,
A ESPOSA DO REI DA PAZ."
"SOU FILHA DA SENHORA DA TERRA,
QUERIDA DA DEUSA DO ODÒ."
"SOU AQUELA QUE VARRE A TERRA,
A QUE TRAZ O FOGO NA MÃO,
A QUE TEM O PODER NA MORTE, 
A QUE TRAZ PARA A VIDA A SOLUÇÃO"
"FUI EU QUEM VARRI AS FOLHAS,
FUI EU QUEM VENTEI O ROSTO DO SOL, 
FUI EU QUEM PAREI A ESPADA,
FUI EU QUEM GANHEI O PODER SOBRE OS MORTOS,
FUI EU QUEM ENTREI NA FLORESTA,
FUI EU QUEM SENTEI AO LADO DAS ANCIÃS,
SOU EU A DONA DO BARRO,
SENHORA DOS MISTÉRIOS,
DONA DO BARRACÃO"
"SOU EU QUEM TRAGO MEUS FILHOS,
NA BARRA DE MINHA SAIA,
SOU EU QUEM LEVO TODOS OS FILHOS,
NO FIM DE SUA JORNADA"
SOU OYA, QUEBRO O VENTO, VARRO A TERRA,CESSO O RIO,SOU A DONA DA ESPADA!!!!
EPARREI
Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003) 

Texto enviado por Ekede Guanayra 
Foto: Atriz Débora Almeida - Espetáculo Teatral "Sete Ventos" - por: Zezinho Andrade

3 de mar de 2011

O valor que o Tempo tem..

Assisti a esse vídeo e não tive como deixar de postá-lo aqui. O mesmo foi realizado pelos membros do Ilé Asé Opo Afonjá para comemorar os Cem Anos de Iniciação (Ógorún Ódun Óbadéyi) de Mãe Agripina de Aganjú (Obá Deyi). A história dessa sacerdotiza se confunde com a história dessa casa centenária. Obá Deyi foi iniciada por Mãe Aninha (Obá Biyi), filha da Casa Branca do Engenho Velho e fundadora do Ilé Asé Opo Afonjá no Rio de Janeiro (1895) e em Salvador (1910). Mãe Aninha foi sucessora do Asé no Rio de Janeiro (Coelho da Rocha).
O que mais me chamou a atenção no vídeo é a forma com a qual os membros do axé se reportam a sua Matriarca. Observamos na fala de cada um muitos sentimentos: amor, carinho, respeito, gratidão, orgulho, saudade.. É impossível não se emocionar com os seus depoimentos e relatos. Tive que chorar.. Mas foram lágrimas de felicidade, de saber que essas senhoras existem. Que a memória de nossos ancestrais ainda é respeitada e louvada. É realmente reconfortante.
Digo isso, pois, hoje em dia, se percebe no discurso das pessoas muito descaso com relação aos mais velhos, aqueles que vieram bem antes de nós. Parece que tudo aquilo que eles construíram e deixaram para nós não tem valor. Às vezes me sinto errado no meio de tantos “certos”, que insistem em menosprezar o tempo e o conhecimento acumulado.. Como eu poderia com meus poucos anos de iniciado, me comparar a essas senhoras? O que diferencia um iyawo de um egbomí, é tudo a mesma coisa? Será que a chamada “educação de axé” não é mais necessária? Devemos deixá-la de lado?
Prefiro acreditar que não! Esse vídeo é uma das indicações que me levam a acreditar que estou no caminho certo. O bailado de cada uma dessas senhoras (e senhores) saudando Obá Aganjú com tanta intensidade e veneração não deixa dúvida alguma. Cada um deles trás na alma e no coração a força acumulada ao longo de cada ano de trabalho na sua casa de santo. Cada pena retirada, cada noite mal dormida, cada obrigação paga, cada momento de aprendizagem, perdas, vitórias, alegrias, tristezas, enfim tudo aquilo que o Tempo nos proporciona. Digo sempre: Só quem soube respeitar Tempo sabe o valor que Ktembo tem.. A força do nosso Candomblé reside aí. Esse é o verdadeiro awo (segredo) que muita gente iniciada ainda não conseguiu descobrir, e talvez nunca descubra.

9 de fev de 2011

MINHA EXPERIENCIA RELIGIOSA

O fé ire, o fé ire, o fé ire,

Iyo s’opé olóre,

O fé.

Queremos tudo de bom,

felicidades, gratidão aos amigos.

Motumbá meu mais velhos e meus mais novos,

Quando ouvimos o chamado dos orixás e, cada um ao seu modo, resolve se entregar a essa força maravilhosa deixamos esse mundo para em seguida renascermos. Esse renascimento é cercado de sacrifícios, às vezes, passamos por algumas dificuldades, uns mais outros menos.. Renascemos iyawo, nossos olhos despertam para o mistério (awo). Nossa maneira de encarar a vida se modifica, não somos mais os mesmos. A partir desse momento temos a certeza que jamais estaremos sozinhos, pois dentro de cada um de nós se faz a morada de nosso Deus pessoal, nosso Pai, nossa Mãe espiritual. Só quem passou pelo “segredo” sabe o que estou dizendo. Existe um ditado, que gosto muito, e que traduz bem essa filosofia: "Biri biri bó won loju, ogberi nko mo mariwo". Trevas cubram seus olhos, os não iniciados não podem conhecer os segredos do mariô.

Ilustração de Patrick de Ayrá (Obásilè)
Ser iyawo nem sempre é tarefa fácil, pois exige de nós disciplina, paciência, atenção, humildade e acima de tudo amor ao orixá. Somos a todo tempo testados em nossos limites. Saber ouvir muito e falar pouco, perguntar demais então, não é visto com bons olhos. Para mim, como bom filho de Ogún, nem sempre isso foi tarefa fácil, rsrs. Saber respeitar os mais velhos, mesmo que essa diferença fosse de alguns dias.. Saber colocar a vaidade de lado e respeitar sempre a hierarquia da casa.. Mas acredito que consegui superar minhas limitações e respeitar o tempo, afinal, a tradição assim nos impõem suas regras. Regras essas que fortificaram essa religião e a fizeram permanecer viva até os dias de hoje. Se não fui eu quem criei como posso querer modificá-las?

E dessa forma os anos foram se passando, busquei aprender sempre com cada irmão e irmã. Com alguns aprendi mais com outros menos, entretanto nenhum deles deixou de me ensinar alguma coisa. Espero poder aprender muito ainda. Mas o tempo não para não é mesmo: um, três, cinco e eis que de repente chegamos aos sete. Número difícil, cercado de simbolismos e expectativas. Segundo os esotéricos é o número do autoconhecimento, da espiritualidade. Para nós do Candomblé representa o final de nossa iniciação, momento em que o elo que nos liga a nosso orixá fica mais apertado, mais estreito. A responsabilidade a cerca de nossas ações fica evidente, nossa educação de axé está moldada. Posso dizer com toda certeza que chego aos meus sete anos com a mais completa convicção que trilhei o caminho correto, não desrespeitando ninguém, procurando ajudar sempre que possível, respeitando o meu tempo, e também o tempo dos outros. Realmente valeu a pena.

Certa vez conversando com Pai Flávio disse a ele que estava muito feliz, ele prontamente me perguntou o porquê da alegria. Na hora não soube responder especificamente o motivo, mas na verdade hoje sei. Quando fazemos o que é certo e nos doamos realmente para nossos orixás, eles nos dão o que há de melhor. E para mim a melhor coisa que recebi nesses quase oito anos de iniciado é a paz de espírito, de não carregar mágoas no coração, de ver o mundo com olhos de esperança, de procurar a beleza que se esconde, às vezes, atrás de uma cara fechada, por que não?

Agradeço muito a Pai Flávio e ao Ilé Asé Omí Iwín Odara, pois nessa casa eu consegui encontrar o meu caminho. Esse caminho tem sido de muitas vitórias e conquistas, alguns tropeços é claro, mas que também foram importantes, pois me fizeram crescer e lutar com mais força para atingir os meus objetivos. Quando cheguei no Ilé, fui recebido por uma grande árvore ornada com lindos presentes, Pai Flávio conhece a história. Pois é, que ela continue lá, alta e majestosa, protegendo a todos nós, os seus filhos.

Ilustração de Patrick de Ayrá (Obásilè)
Talvez alguns achem que estou escrevendo muito, mas achei importante dividir com os meus irmãos a minha experiência religiosa. Nem sempre temos tempo de trocar nossas impressões uns com os outros, mas digo, principalmente aos mais novos: Ser iyawo é maravilhoso, saibam respeitar o seu tempo, tenham amor ao seu orixá, confiem em sua casa de culto. O axé que ela possui é fantástico, problemas são normais em todo lugar, só o paraíso é perfeito. E nunca devemos esquecer que o sucesso de uma casa de santo está intimamente ligada a capacidade dos seus membros vencerem JUNTOS as dificuldades e se manterem unidos. De acordo com a filosofia que herdamos de nossos ancestrais, o coletivo é sempre mais importante que o individual, não por um indivíduo ser menos importante que o outro, mas pelo fato de ninguém conseguir sobreviver bem, por muito tempo isolado. Os galhos de Danko (bambusal) são fortes por que um sustenta o outro, o vento passa mas ele nunca é destruído. Por isso cantamos após o orixá dar o seu nome, ou em ocasiões especiais e de festividade:

“F’ara imóra Olúwo, F’ara imóra

Arakétu wúre, Fara imóra

Olóore salare, A mu’ ra dìde

Olóore salare, Omo Araketu ‘wure”

“Usamos o corpo para nos abraçar

Nós nos abraçamos

Somos todos filhos do Povo de Kétu

E pedimos abenção. Unidos em um só corpo.”

28 de nov de 2010

Deus vem comer noz de cola!

 Cola acuminata, noz-de-cola

Entre os ibos, povo do sudeste da Nigéria, a noz de cola tem um grande valor simbólico e religioso.. Em razão disso, come-se noz de cola nos acontecimentos importantes da vida social e privada.

As palavras dum ancião da aldeia Ibo, no sueste da Nigéria, revelam o significado da festa onde se come a noz de cola: «A cola é um símbolo de unidade entre os homens. A noz de cola é um símbolo de unidade entre os homens e Deus. A noz de cola representa a vida, por isso, é oferecida na oração e nos ritos que celebram a alegria de viver, o amor, a paz, a mútua compreensão. Come-se a noz de cola quando nasce uma criança, quando se celebra um casamento, quando morre um parente, quando o novo chefe é investido no poder, quando nos reconciliamos depois de travar uma guerra, quando se sela uma nova amizade, etc., etc…»
Os ibos começam cada dia louvando a Deus e consumindo noz de cola. O ancião só deseja os bons-dias depois de uma pequena cerimónia familiar, o Ikpa nzu e iwa oji (salpicar com pó de gesso e partir as nozes de cola).

Toda a família se senta no chão. O ancião, igualmente sentado no solo, estende as pernas e coloca no centro o ofo familiar (bastão sagrado, símbolo de unidade com os antepassados), algumas nozes de cola, o gesso em pó e uma vasilha com água fresca. Parte as nozes e mastiga um pedaço. Depois, cospe uma parte dele sobre o ofo e outra para o ar, destinada aos espíritos invisíveis. Por fim, enxagua a boca e deita fora a água com força.
Terminado este ritual, reza em voz alta: «Que o novo dia afaste o mal! Deus, vem comer noz de cola! Terra, vem comer noz de cola! Antepassados e espíritos, vinde comer noz de cola! Fazei que aconteça o bem, nunca o mal! Quem tem noz de cola, tem vida! A minha vida é a vida da minha família.»

A intercessão
Depois da invocação, e sempre em voz alta, o ancião faz uma oração de intercessão. Declara a sua inocência e pede a protecção divina. Diz: «Deus, parte estas nozes por mim, porque eu não sei o que dizer. Deus, te peço, não me dês a morte, porque sou ainda uma criança. Que, onde quer que esteja uma criança, ela possa acordar cada manhã. O macaco salta para a frente, nunca para trás. Que por esta oração eu seja abençoado e também a minha família.»
Toda a família está em silêncio, seguindo com atenção as palavras do chefe da família. Terminada a oração de intercessão, o ancião proclama uma série de exortações morais. Apela à unidade, à harmonia e à convivência em paz: «Há alegria na vida, não na morte. Viva quem oferece noz de cola e quem a come! Viva o tantã e muita felicidade para quem o toca. Deus, faz com que o meu inimigo conserve a vida: se não existisse, acaso lutaria com a erva? O meu inimigo é útil, porque, quando discuto, posso aprender coisas novas»!
O ritual matutino termina com a invocação final. O ancião proclama-a com solenidade. Pede vida e saúde para todos os presentes, e de modo particular para si mesmo, que é o chefe da família. Nesta oração, faz alusão à prece da lagartixa, a qual pode viver sem cauda, mas não sem cabeça.

Comida em comum
A noz de cola tem um valor simbólico. É um fruto que deve ser comido sempre em comum. Esta refeição pode acontecer numa família, onde todos se reúnem com os seus progenitores ou pode ser feita por toda a aldeia, que se junta ao redor do ancião para celebrar um acontecimento especial. Em qualquer dos casos, as nozes de cola são sempre distribuídas, partidas e partilhadas entre todos os presentes. Esta refeição em comum é símbolo da comunhão de bens, da fraternidade e do respeito recíproco.

A noz de cola
A cola é uma árvore da família das esterculiáceas, conhecidas na África ocidental por árvores de noz de cola. As suas folhas são ovais e persistentes. As flores são unissexuais ou poligâmicas, em forma de cálice, com cinco ou seis lobos. Os frutos são lenhosos e contêm de cinco a nove sementes, de sabor amargo, ricas em cafeína. São usadas como comida e também na medicina para despertar energias vitais.

(Fonte: Janela Cultural, abril 1999, Gianni Albanese) 

Postado por solicitação de Marilu Campelo

Noz de Cola
“Erva indispensável nos banhos dos filhos de Oxalá. Para o banho, rala-se a semente, o obi, misturando-se com água de chuva. A medicina popular indica esta erva como tônico fortificante do coração. É alimento destacado em face de diminuir as perdas orgânicas, regulando o sistema nervoso.”
(Fonte: Site Sol de Gaya)

8 de nov de 2010

Oração de uma Iyawó

Oração de uma Iyawó

"Que a energia que habita em mim permita que eu mantenha sempre a cabeça baixa e os pés no chão, afim de manter a humildade. Que eu tenha sempre bons ouvidos, atentos para os ensinamentos daqueles que vieram antes de mim, meus orixás, meus ancestrais, meus mais velhos e fechados para o que não convém. Que eu possa ter o coração aberto para a experiência de ser omo orixá, mas principalmente a boca fechada, pra não levantar falso, não cometer injúria e não deixar que o sopro que sai de minha boca se contamine com palavras vãs.
Que meu ori mantenha esse compromisso todos os dias. Assim meu comportamento será digno de minha divindade e minhas ações respeitarão o deus vivo que há em mim."


Postado por solicitação de Guanayra Firmino 

Ogum

Ogum

Ancestral da cidade de Irê, Senhor do Ferro e da Guerra, também considerado na Nigéria como protetor da agricultura. Esta última concepção desaparece no Brasil, pois era impossível ao cativo solicitar boas colheitas para o Senhor de Escravos. Suas alegorias mais difundidas, a espada e algumas vezes a adaga, falam do seu aspecto guerreiro, enquanto a bigorna traz a memória o ferreiro que produz enxadas, pás, foices, frequentemente presentes em seus objetos simbólicos, mas também outros instrumentos originados do ferro, como o bisturi, que aludem alegoricamente ao divino ferreiro. Suas contas, algumas vezes de um azul profundo, também podem ser verdes, como os campos que ele cultiva.

Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Exu

Exu

Primogênito da criação, encarregado da comunicação entre orixás e homens. Por seu aspecto brincalhão e risonho, foi erroneamente confundido com o diabo cristão, que em suas imagens antropomórficas, ostentam tridente, rabos e chifres. Em suas representações africanas, ostentam o falo, símbolo da procriação e do poder masculino que exaltam o aspecto relacional da figura de Exu. Suas contas, brancas, vermelhas e pretas, intercaladas, podem ser consideradas como símbolos do nascente – o branco –, o vermelho do poente, e o negro da noite, lugar dos mistérios e da magia. Laroiê Exu!

Máscara de pedras semi-preciosas incrustadas em dure pox: Autor desconhecido.

Xangô

Xangô

Historicamente, o segundo rei de Oyó, responsável pela hegemonia desta cidade nos períodos anteriores a colonização inglesa. Foi o responsável por inúmeros tratados e acordos diplomáticos, na maioria das vezes, culminados por casamentos que estreitavam as relações político-sociais. Dessa forma, os mitos que narram os consórcios deste herói civilizador com Oxum, Iansã e Obá, fazem parte dessa busca de união entre as cidades iorubás empreendida pelo soberano. Vários monarcas passaram a ostentar o título de Xangô em sua honra e o ritual denominado “A Roda de Xangô” fala desses inúmeros Alafim Oyó (Reis de Oyó), considerados como Orixás do Fogo. Suas contas, brancas e marrons, algumas vezes vermelhas, aludem a este elemento. Caô Cabiecile!

Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Oxum

Oxum

Deusa da beleza, do ouro, da meiguice, Senhora protetora da maternidade e dos nascituros. Suas ferramentas e alegorias, douradas ou algumas vezes banhadas em ouro, falam do prestígio que esta Iyabá (Venerável Mãe) desfruta nas Casas-de-Santo. Dizem dela também que adora espelhos, jóias, perfumes e, muitas vezes, seus cânticos e danças mostram essa relação com a feminilidade e a sedução. Suas contas douradas ornam o busto altivo da Senhora dos rios, das fontes e das cachoeiras e suas roupas longas e requintadas lembram o fausto das cortes. Oraieieu!

Indumentária produzida pela Yalê da Casa (Mãe da Comunidade): Lucinha Pessoa (dez/2009)

Logun-edé

Logun-edé

É um dos odés, talvez o mais prestigiado deles. Este título, que ostentam os caçadores, a ele é aplicado como o mais jovem entre eles e, como todos, é um guardião das tradições e considerado o grande provedor dos orixás. São os caçadores que, nos grandes momentos de crise, alimentam a todos e, ao mesmo tempo, zelam pelos princípios e normas sociais. Filho de Oxóssi e Oxum, herda, no imaginário do povo-de-santo, as qualidades de seus genitores o gosto pelas jóias e o amor pelas regras e costumes. Suas contas azul-turquesa, como as de Oxóssi, são somadas às douradas de Oxum. Losi-losi... Looogun!

Máscara de pedras semi-preciosas incrustadas em dure pox: Autor desconhecido.

Oxumaré

Oxumaré

Patrono do arco-íris, príncipe dos voduns, senhor das serpentes. Considerado como orixá para alguns e vodun para outros, conferindo-lhe, portanto, uma identidade, ora iorubá, ora jêje. Suas danças, de rara beleza, são executadas ao ritmo do bravum, sincopado, de batidas fortes e que por vezes lembram o serpentear da Píton daomeana. Suas roupas, cujos tons múltiplos trazem inscritas as diversas cores surgidas da difração da luz do sol nas gotas da chuva ou do cristal que muitas vezes orna seus assentamentos simbólicos. Arroboboi!!!

Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Iroko

Iroko

Muitos afirmam que o culto às arvores é uma das mais antiga expressões da religiosidade iorubá. Este gigante das florestas, venerável pela sua imponência, ocupa um lugar de destaque nas comunidades-terreiro, que podem abrigar sua majestosidade, capaz de, com suas profundas raízes, destruir construções. Dele também é dito que não é semeado, lembrando a sua origem divina e o seu papel de acolher os pássaros das grandes feiticeiras.  Seu poder é tão grande que a sua saudação, Eró!, significa "tenha calma!", procurando aplacar esta fonte de energia grandiosa e ancestral.

Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

Iaô

Iaô

Este termo implica em uma charada, que muitas vezes as línguas tonais, como o iorubá, apresentam. Ela pode significar iyawo – esposa – ou iya awo – mãe do segredo –, nomes atribuídos aos jovens iniciados nos mistérios das religiões negras.
Escultura em cerâmica: Carmem Barros (2003)

4 Elementos

Os quatro elementos da natureza e sua complementaridade

Água, fonte de energia e vida, morada das mães ancestrais, símbolo da maternidade, fecundidade e poder feminino.

Terra fecundada, origem da prosperidade e do bem-estar, fonte de desenvolvimento e estabilidade social.

Fogo, elemento da transformação, que possibilita a insurgência de novas formas de vida e reinício do eterno ciclo de renovação.

Ar, movimento initerrupto que provoca mudanças, como também é capaz de fertilizar todos os outros elementos, constituindo, dessa forma, a gênese.

14 de ago de 2010

RAÍZES: Você conhece a sua?


”Por mais que os galhos cresçam, o tronco sempre será maior, e quem sustenta o tronco é a raiz”.

Mestre Ataliba


Mãe Tata
Pensar em Candomblé é pensar em Tradição. Dentro dessa filosofia o processo de existencia individual está intimamente ligado a uma existência coletiva. Não adianta saber apenas quem se é, mas quem veio antes de voce, a sua ancestralidade. Quando conhecemos nossas raízes nos tornamos mais fortes, seguros de quem somos.

O processo de iniciação desperta em nós uma consciencia adormecida, uma memória ancestral que deve ser constantemente exaltada, jamais esquecida. Por exemplo, é comum durante a cerimônia pública do nome (orukó iyawo) que a pessoa escolhida como padrinho (ou madrinha) de orukó se apresente informando a todos os presentes quem foi o seu iniciador, seus avós e a casa matriz do seu axé. Todos devem possuir uma origem...

 

Mãe Nitinha
Antigamente existiam poucas casas de Candomblé, e as relações que mantinham os grupos coesos se davam de forma mais rígida, saber o que acontecia na casa matriz do seu axé era quase que uma obrigação. 




Tia Massi




Nos tempos atuais, com o aumento exagerado do número de casas de culto, os laços que mantinham as comunidades unidas foram se afroxando, gerando muitas vezes a perda dessa identidade ancestral coletiva. Muitos iniciados hoje em dia quando questionados sobre a origem de sua casa emudecem, sem poderem responder tal indagação.



Mãe Nitinha e Pai Flavio de Oguian

Essa postagem tem como principal finalidade deixar registrada a importância de se conhecer aqueles que deixaram o seu nome marcado na história dessa religião, tão rica e poderosa, chamada por nós de Candomblé. Lembremo-nos sempre das sábias palavras de Mestre Ataliba, um galho sem um tronco forte e sem raízes profundas não consegue se manter em pé e nunca dará frutos saudáveis.  

Mojubá Iyá Mi! Casa Branca do Engenho Velho




Ilé Asé Omí - Nossa raíz é forte

Preservar a memória é fundamental se queremos manter a nossa religião viva.